terça-feira, 19 de abril de 2011

Hoje não tem foto, nem música pra acompanhar. Hoje é no seco. No duro. Quero cada palavra entrando pelos olhos, e caindo na alma.


O plural virou singular. A solidão assumiu compromisso comigo. Sem eu querer,sem eu saber...nem poder.
Mais uma noite de pensamentos no lugar de sonhos. A gente vai vivendo, fingindo e sorrindo de canto de boca, repetindo que está 'tudo bem'. A cada enchente de pensamentos que entope meu cérebro, tento resgatar alguma coisa ainda viva. Mas ja está tudo sem ar, sem cor.

Cortaram por mim o fio da esperança. Eu avisei: 'te esconde tu és o último'.  Mas solto estava, e solto ficou. 
A verdade desceu rasgando e caiu sobre meus pés. Um peso imenso que não me deixa andar. Não por agora. Nem mais um passo.


Já passei por esse caminho. Depois de alguns anos nas costas a gente pensa que sabe como sentir, mas não sabe. Esse sentimento já morou aqui, e cada vez que volta assume uma forma diferente. Ele volta maior, mas o tempo que ele passou longe deixa o espaço menor. E mais uma vez a traiçoeira pegou o lugar, assumiu a posse, tomou conta, me deu a mão. O tempo passou, ninguém ligou. Ela veio mansa e se infiltrou. Aproveitou cada brecha, cada falha, cada espaço que a esperança ia deixando de ocupar.


domingo, 17 de abril de 2011

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- E agora o que a gente faz? - Perguntou ele com um olhar de desolação.
- O que você quiser. Tomar um café... ou fumar um cigarro. - mas sussurrou pra si mesma - não faremos mais nada, o mundo terminou faz tempo.


quinta-feira, 14 de abril de 2011

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Leia ao som de Chiodos - Baby, You Wouldn't Last A Minute On The Creak 



Eu não sonho mais. Cancelei meu subconsciente. Eu não sonho mais. Nem acordada nem dormindo. Resolvi viver somente o real, o tocável, o alcançável. Eu não sonho mais. Eu não me pego mais pensando em 'what if'. Cumpro minhas obrigações. E me dou a folga e a cerveja merecida no final de semana. Eu não sonho mais. Não vivo mais em função do 'futuro próspero' que virá. Eu não sonho mais. Não acordo mais com idéias confusas que não me deixarão dormir na noite seguinte. Estou apagando, mesmo tendo prometido não apagar. Vejo morrendo o que eu constru.Sozinha.Não acredito mais.Eu não sonho mais.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Nosso nada é meu tudo.


Leia ao som de:  For You - Angus and Julia Stone


Essa sou eu, remoendo os cacos. Sim, é possível remoer os cacos. Olho pela janela, passam o tempo, os carros e minhas chances. Maldito labirinto na minha mente, ja decorei o caminho pra saída. Mas sempre acabo voltando e dando um jeito de me perder. Eu faço planos e tento pregá-los na minha cabeça. Faço e refaço o primeiro encontro. Monto e desmonto o primeiro beijo, a respiração lenta, os olhos trêmulos. A pele fresca, o vento no rosto. As músicas preferidas tocando sem parar na minha mente. Tudo que eu sempre quis dizer se predendo nos teus olhos. O toque suave das tuas mãos, nas maças do meu rosto. Minhas mãos ganhando o espaço da sua nuca pra dentro dos seus cabelos. O caminhar de mãos dadas, a vergonha indo embora, a cada passo juntos que damos pra lugar nenhum. Mas o quebra cabeça do nosso 'primeiro tudo' se desfaz... você ainda pensa no 'último tudo' com outro alguém.

domingo, 3 de abril de 2011

Da lama ao caos.






Tolo o coração que se enche de esperança quando não possui garantia nenhuma de se encher realmente de amor.
Quando não possui nada além de um talvez,ou um quase.
Quando idealiza o final esperado e causa brilho no olhar,enchendo os olhos de lágrima logo após, por lembrar que era tudo fruto da escrota imaginação que insiste em inventar e reinventar o que não sai dos limites do pensamento.
Tolo coração que se prende no labirinto do pensar e que se enrola no fio de esperança. E que ridiculamente insiste na idéia de só se desprender de algo quando enxergar que está realmente perdido, falido... sabendo que se fará de cego a maior parte do tempo.
Tolo coração que se engana em culpar algo além dele mesmo,e se fecha após mais uma dor,batendo repetidas vezes no compaço de que foi a última vez que rastejou da lama ao caos.

sexta-feira, 1 de abril de 2011


Leia ao som de Nelo Johann - Pigeon Suicide Squad - http://www.youtube.com/watch?v=WPLMGqWpDKA



Olhos secos.

A música tocava repetidas vezes. A mesma melodia. As batidas do violão e as do coração. Juntou todas as memórias em fotos.Colou as imagens nas paredes.Olhava aqueles olhos parados,secos. Piscou lento, marejou os olhos. Estava ali na sua frente, os olhos verdes, parados. Chorou sobre as fotos. Releu os textos. Reviveu a esperança. Sonhou mais uma vez com o abraço apertado, milimetricamente perfeito, encaixado.A intensidade perfeita entre os corpos. A conexão exata entre os corações. Sorriu com os olhos cheios d'agua, um riso meio sem graça de quem volta pra realidade. Guardou as fotos. Escutou por horas as batidas do violão, e as do coração.